Câncer de mama e prevenção: o que a oncologia alerta sobre hábitos, exames e mitos

Mônica Nóbrega

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Câncer de mama e prevenção: o que a oncologia alerta sobre hábitos, exames e mitos

O câncer de mama é a neoplasia mais comum de todas — e o Outubro Rosa é o momento de reforçar o alerta sobre prevenção. Para esclarecer o tema, o programa Saúde em Dia recebeu a oncologista Dra. Valesa Machado, que falou sobre os sinais de alerta, os avanços no tratamento e os hábitos que realmente influenciam o risco de câncer.

Prevenção do câncer de mama: o que nunca mudou

As bases da prevenção continuam as mesmas: mamografia, atenção ao próprio corpo e acompanhamento médico. A mulher deve se conhecer, palpar suas mamas e buscar atendimento médico diante de qualquer alteração.

Como regra geral, passou dos 45 anos, a mamografia deve ser anual — o período pode variar um pouco com a idade, por isso vale conversar com o médico.

Tratamento: a história do câncer de mama mudou

Se na prevenção não há grandes novidades, no tratamento o cenário é outro. Hoje existem drogas novas, imunoterapia, terapias-alvo e testagem genética — que inclusive é oferecida pelo SUS.

O resultado é concreto: aumenta o percentual de cura, aumenta o tempo de vida com qualidade para as pacientes que não atingem a cura e diminuem os efeitos colaterais. O tratamento deixou de ser aquele processo tóxico e sofrido, com resultados precários, de anos atrás.

Para pacientes com história familiar muito rica em câncer, a testagem genética permite se antecipar: prevenção mais rigorosa ou até cirurgias de redução de risco.

Sinais de alerta: quando procurar o médico imediatamente

Sente caroços e nódulos pequenos e não sabe se é normal? Alguns sinais exigem atendimento médico imediato:

  • Nodulações palpáveis que, na pré-menopausa, perduram por mais de um ciclo menstrual;
  • Nódulo palpável na pós-menopausa — se é uma lesão nova, procure o médico;
  • Secreção pelo mamilo;
  • Sinais inflamatórios: mama edemaciada, avermelhada, com aspecto de “casca de laranja”;
  • Nódulos nas axilas que não existiam antes.

A regra geral: alterações novas que perduram são sinais de alerta.

Câncer de intestino: a doença totalmente prevenível

Junto com o câncer de mama, as neoplasias mais frequentes em mulheres são pulmão, intestino e colo de útero. O câncer de intestino merece destaque: tem incidência alta e é totalmente prevenível graças à colonoscopia, indicada para pessoas acima de 45 a 50 anos.

O exame permite prevenir — removendo os pólipos antes que virem câncer — ou diagnosticar em estádio curável. Se você está na faixa etária e nunca fez, procure seu médico.

Hábitos que aumentam o risco de câncer

Os estudos são claros sobre o que evitar:

  • Cigarro e qualquer tipo de fumo: narguilê, cigarro tradicional e vapes — tudo associado ao aumento do risco;
  • Embutidos: salame, bacon, presunto — a ciência já provou que aumentam o risco de câncer;
  • Álcool: associado a câncer de mama, estômago, esôfago, pâncreas, intestino e via biliar;
  • Sedentarismo: aumenta o risco de câncer de intestino e de mama;
  • Obesidade e a ausência de alimentos saudáveis na dieta.

Do lado positivo: coma legumes, verduras e frutas e diminua o consumo de processados — “vem no pacote, a gente já sabe que dura seis anos e meio, não tá legal, sai fora, vai pra horta”.

Carne vermelha: mito ou fato?

É fato, mas com nuance. A carne vermelha deve ser consumida com moderação — não é preciso tirá-la da alimentação. Não existe associação direta entre o consumo moderado de carne vermelha não processada e o câncer.

O risco está no consumo exagerado e no defumado, como no churrasco. Já as dietas associadas à baixa incidência de neoplasias e doenças cardiovasculares são ricas em legumes, frutas, azeite, castanhas e peixes — e são consideradas protetoras.

Nunca é tarde para mudar

Chegou aos 40 fazendo tudo errado? Sempre tem tempo. Qualquer medida tomada pela saúde começa a reduzir o risco a partir dali: quem fumou a vida inteira e para aos 60 anos será beneficiado; quem parou após um câncer de pulmão, também. Fumo e álcool são vícios — mas qualquer hábito, a qualquer momento da vida, se você resolver parar, vale a pena.

Câncer é hereditário? Desmontando o mito

O câncer é genético — é uma doença do gene, do DNA —, mas não necessariamente hereditário. Apenas 5 a 10% dos cânceres são hereditários; o resto é genético, resultado de uma conjunção de fatores: um erro em uma divisão celular, obesidade, fatores ambientais como poluição e agrotóxicos.

Ter pai, mãe, irmã ou tia com câncer não é uma certeza de que você terá. Se a história familiar parece muito rica em casos, procure um geneticista, que indicará os testes genéticos.

O recado da oncologista

A síntese da conversa: mantenha hábitos saudáveis e atividade física, faça os exames anualmente — mamografia e colonoscopia — e, diante de qualquer dúvida sobre uma alteração, marque com seu médico. Para as mulheres, o ginecologista é um grande aliado, pois enxerga a mulher como um todo.

A tecnologia também ajuda: a mamografia atual consegue visualizar até um grão de areia, com mamografia digital e tomossíntese incorporadas, tornando a prevenção bem mais segura. E a mensagem final fica: os hábitos partem da gente.

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