Câncer de mama e prevenção: o que a oncologia alerta sobre hábitos, exames e mitos
O câncer de mama é a neoplasia mais comum de todas — e o Outubro Rosa é o momento de reforçar o alerta sobre prevenção. Para esclarecer o tema, o programa Saúde em Dia recebeu a oncologista Dra. Valesa Machado, que falou sobre os sinais de alerta, os avanços no tratamento e os hábitos que realmente influenciam o risco de câncer.
Prevenção do câncer de mama: o que nunca mudou
As bases da prevenção continuam as mesmas: mamografia, atenção ao próprio corpo e acompanhamento médico. A mulher deve se conhecer, palpar suas mamas e buscar atendimento médico diante de qualquer alteração.
Como regra geral, passou dos 45 anos, a mamografia deve ser anual — o período pode variar um pouco com a idade, por isso vale conversar com o médico.
Tratamento: a história do câncer de mama mudou
Se na prevenção não há grandes novidades, no tratamento o cenário é outro. Hoje existem drogas novas, imunoterapia, terapias-alvo e testagem genética — que inclusive é oferecida pelo SUS.
O resultado é concreto: aumenta o percentual de cura, aumenta o tempo de vida com qualidade para as pacientes que não atingem a cura e diminuem os efeitos colaterais. O tratamento deixou de ser aquele processo tóxico e sofrido, com resultados precários, de anos atrás.
Para pacientes com história familiar muito rica em câncer, a testagem genética permite se antecipar: prevenção mais rigorosa ou até cirurgias de redução de risco.
Sinais de alerta: quando procurar o médico imediatamente
Sente caroços e nódulos pequenos e não sabe se é normal? Alguns sinais exigem atendimento médico imediato:
- Nodulações palpáveis que, na pré-menopausa, perduram por mais de um ciclo menstrual;
- Nódulo palpável na pós-menopausa — se é uma lesão nova, procure o médico;
- Secreção pelo mamilo;
- Sinais inflamatórios: mama edemaciada, avermelhada, com aspecto de “casca de laranja”;
- Nódulos nas axilas que não existiam antes.
A regra geral: alterações novas que perduram são sinais de alerta.
Câncer de intestino: a doença totalmente prevenível
Junto com o câncer de mama, as neoplasias mais frequentes em mulheres são pulmão, intestino e colo de útero. O câncer de intestino merece destaque: tem incidência alta e é totalmente prevenível graças à colonoscopia, indicada para pessoas acima de 45 a 50 anos.
O exame permite prevenir — removendo os pólipos antes que virem câncer — ou diagnosticar em estádio curável. Se você está na faixa etária e nunca fez, procure seu médico.
Hábitos que aumentam o risco de câncer
Os estudos são claros sobre o que evitar:
- Cigarro e qualquer tipo de fumo: narguilê, cigarro tradicional e vapes — tudo associado ao aumento do risco;
- Embutidos: salame, bacon, presunto — a ciência já provou que aumentam o risco de câncer;
- Álcool: associado a câncer de mama, estômago, esôfago, pâncreas, intestino e via biliar;
- Sedentarismo: aumenta o risco de câncer de intestino e de mama;
- Obesidade e a ausência de alimentos saudáveis na dieta.
Do lado positivo: coma legumes, verduras e frutas e diminua o consumo de processados — “vem no pacote, a gente já sabe que dura seis anos e meio, não tá legal, sai fora, vai pra horta”.
Carne vermelha: mito ou fato?
É fato, mas com nuance. A carne vermelha deve ser consumida com moderação — não é preciso tirá-la da alimentação. Não existe associação direta entre o consumo moderado de carne vermelha não processada e o câncer.
O risco está no consumo exagerado e no defumado, como no churrasco. Já as dietas associadas à baixa incidência de neoplasias e doenças cardiovasculares são ricas em legumes, frutas, azeite, castanhas e peixes — e são consideradas protetoras.
Nunca é tarde para mudar
Chegou aos 40 fazendo tudo errado? Sempre tem tempo. Qualquer medida tomada pela saúde começa a reduzir o risco a partir dali: quem fumou a vida inteira e para aos 60 anos será beneficiado; quem parou após um câncer de pulmão, também. Fumo e álcool são vícios — mas qualquer hábito, a qualquer momento da vida, se você resolver parar, vale a pena.
Câncer é hereditário? Desmontando o mito
O câncer é genético — é uma doença do gene, do DNA —, mas não necessariamente hereditário. Apenas 5 a 10% dos cânceres são hereditários; o resto é genético, resultado de uma conjunção de fatores: um erro em uma divisão celular, obesidade, fatores ambientais como poluição e agrotóxicos.
Ter pai, mãe, irmã ou tia com câncer não é uma certeza de que você terá. Se a história familiar parece muito rica em casos, procure um geneticista, que indicará os testes genéticos.
O recado da oncologista
A síntese da conversa: mantenha hábitos saudáveis e atividade física, faça os exames anualmente — mamografia e colonoscopia — e, diante de qualquer dúvida sobre uma alteração, marque com seu médico. Para as mulheres, o ginecologista é um grande aliado, pois enxerga a mulher como um todo.
A tecnologia também ajuda: a mamografia atual consegue visualizar até um grão de areia, com mamografia digital e tomossíntese incorporadas, tornando a prevenção bem mais segura. E a mensagem final fica: os hábitos partem da gente.


