Queda de cabelo x calvície: entenda as diferenças e os sinais de alerta

Mônica Nóbrega

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Queda de cabelo x calvície: entenda as diferenças e os sinais de alerta

A queda de cabelo é um dos temas que mais geram dúvidas — e mitos — na internet. Para esclarecer o assunto, o programa Saúde em Dia recebeu o dermatologista Dr. Leonardo Abram, coordenador de laboratório de tricologia, a especialidade dedicada ao estudo do cabelo. Na conversa, ele explicou a diferença entre queda temporária e calvície, os tipos de alopecia e quando procurar ajuda médica.

Queda de cabelo e calvície são a mesma coisa?

Não — e diferenciar as duas situações é o primeiro passo. A queda de cabelo é um aumento da queda normal, que pode acontecer com qualquer pessoa depois de algum problema de saúde. Já a calvície tem origem genética e evolui de forma progressiva ao longo da vida.

Quem tem calvície também pode ter episódios de queda aumentada, como após uma dengue. São condições diferentes, que podem até coexistir na mesma pessoa.

Eflúvio telógeno: quando a queda tem uma causa

O aumento temporário da queda tem nome: eflúvio telógeno. Ele costuma surgir cerca de 3 meses após o evento desencadeador — como covid, dengue, cirurgias, hipotireoidismo, a parada do anticoncepcional ou a gravidez.

Na prática, a queda normal de 100 a 150 fios por dia pode saltar para 400 ou 500 fios diários. O quadro costuma durar cerca de 3 meses, podendo se estender até 6 meses em alguns casos.

A boa notícia: geralmente não há tratamento específico, pois o fio que cai é reposto — “esse cabelo nasce novo toda vez que cai”, explica o dermatologista. Identificada a causa, a tendência é a queda se normalizar sozinha.

Calvície: o que é a alopecia androgenética

A calvície, ou alopecia androgenética, é de origem genética e começa na puberdade, quando os hormônios androgênios passam a ser produzidos e os fios começam a afinar.

Os sinais diferem entre os sexos:

  • No homem: entrada aumentando e vértex (coroa) ficando mais ralo;
  • Na mulher: afinamento no topo da cabeça, couro cabeludo visível quando o cabelo está molhado e sensação de queimadura solar no topo.

A evolução é individual: algumas pessoas ficam carecas aos 30 anos, outras mantêm apenas uma entrada aos 70 ou 80. Ter um pai calvo não significa que o destino está selado — tratar precocemente pode paralisar a progressão e reverter parte da perda. Em casos mais avançados, existe ainda a opção do transplante capilar, para repovoar áreas onde o fio não nasce mais.

Alopecia fibrosante frontal: a doença que avança no mundo

Outra condição que merece atenção é a alopecia fibrosante frontal, uma alopecia cicatricial em que a linha de implantação do cabelo retrai para trás, a testa aumenta visualmente e podem surgir perdas de sobrancelhas, costeletas, barba e pelos do corpo.

O especialista relata um alerta importante: quando se formou, viajava 1 a 2 casos por ano; hoje vê 1 a 2 casos novos por mês ou semana. A incidência aumentou no mundo todo — na Ásia, África, Europa, Estados Unidos e Brasil —, sem predileção por raça, e atinge muito mais mulheres (cerca de 100 casos femininos para cada 1 ou 2 masculinos).

A causa ainda é desconhecida. Em 2019, foi descrito o gene da doença, mas o fator externo que “acorda” esse gene ainda não foi identificado. Por isso, o tratamento precisa começar o mais cedo possível: uma vez que o fio morre, não nasce mais. Diagnosticada no início, até a sobrancelha pode voltar.

Penteados apertados podem causar alopecia por tração

Prender o cabelo com força por muitos anos também é risco. A alopecia por tração é provocada pela tração continuada dos fios — como em perucas amarradas desde cedo, dreads e trancinhas muito apertadas, inclusive em crianças.

No início, a perda é reversível. Mas, se a tração continua, pode evoluir para uma alopecia cicatricial, matando o fio de forma definitiva. O caso de Naomi Campbell, citado na conversa, é provavelmente um exemplo desse quadro — embora o médico ressalve que nunca a examinou.

Quantos fios de cabelo é normal cair por dia?

O normal é perder de 100 a 150 fios por dia. E a frequência de lavagem interfere na percepção: quem lava todos os dias vê cerca de 100 fios caírem; quem lava a cada 2 dias, acumula e perde 200 de uma vez; a cada 3 dias, 300.

Por isso, não adianta espaçar a lavagem para “perder menos” — os fios se acumulam e a percepção de queda só aumenta. A orientação é simples: lave do jeito que você sempre lavou. Se notar que a queda aumentou de verdade, aí sim vale investigar.

Sinais de alerta: quando procurar o dermatologista

Fique atento aos sinais de que algo foge do normal:

  • Aumento real e percebido da queda diária;
  • Cabelo ficando mais fino e ralo, mesmo sem queda aparente;
  • Entrada aumentando ou cucuro aparecendo;
  • Couro cabeludo visível e queimando mais ao sol;
  • Retração da linha de implantação, perda de costeleta, barba ou sobrancelhas.

Nesses casos, procure um dermatologista, de preferência com atuação em tricologia. A avaliação inclui anamnese, exames de sangue e a tricoscopia, exame fundamental para diferenciar as causas. E um conselho final do especialista: fuja de promessas milagrosas — o caminho é o diagnóstico precoce com um profissional qualificado.

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