Radiocirurgia no Tratamento de Câncer de Rim e Bexiga: Avanços, Qualidade de Vida e Novas Possibilidades
O avanço da radiocirurgia no tratamento oncológico
No programa Saúde em Dia, a conversa com o radio-oncologista Dr. Tomás Yoko trouxe um panorama moderno sobre o tratamento de câncer de rim e câncer de bexiga utilizando radiocirurgia de alta precisão.
Especialista formado no Sírio-Libanês, com fellowship em radiocirurgia oncológica no Canadá, o médico explicou como a tecnologia mudou paradigmas importantes no tratamento de tumores urológicos.
Hoje, procedimentos menos invasivos vêm ganhando espaço, principalmente para pacientes que não podem — ou não desejam — enfrentar grandes cirurgias.
O que é radiocirurgia?
A radiocirurgia é uma técnica moderna que utiliza feixes altamente precisos de radiação para destruir células tumorais sem necessidade de cortes.
Ela é considerada:
- não invasiva,
- extremamente precisa,
- capaz de preservar tecidos saudáveis,
- e com menor impacto na qualidade de vida.
Segundo o especialista, a tecnologia evoluiu tanto que hoje é possível tratar tumores complexos que antes eram considerados exclusivamente cirúrgicos.
Câncer de rim: por que os casos aumentaram?
Embora o câncer de rim represente cerca de 3% da incidência global de câncer, os diagnósticos vêm crescendo.
Segundo o Dr. Tomás, um dos fatores que pode explicar isso foi o aumento de exames de imagem após a pandemia de Covid-19.
Com mais tomografias sendo realizadas, muitos tumores pequenos passaram a ser encontrados incidentalmente.
Ou seja:
- o câncer não necessariamente aumentou,
- mas o diagnóstico melhorou.
Nem todo câncer de rim precisa de cirurgia imediata
Tradicionalmente, o tratamento padrão do câncer renal sempre foi a nefrectomia — retirada parcial ou total do rim.
Mas isso nem sempre é possível.
Muitos pacientes:
- são idosos,
- possuem diabetes,
- histórico de infarto,
- múltiplas comorbidades,
- ou não suportam uma cirurgia extensa.
Nesses casos, a radioterapia ablativa surge como excelente alternativa.
No estudo citado pelo médico:
- 72 casos tratados,
- 98% de controle local em 3 anos.
Resultados extremamente promissores.
Quando o tratamento do câncer renal deve acontecer?
Segundo o especialista, tumores acima de 4 cm normalmente exigem tratamento, devido ao maior risco de:
- metástase pulmonar,
- progressão da doença,
- complicações futuras.
Mas a decisão nunca deve ser automática.
Cada caso precisa ser analisado individualmente.
Câncer de bexiga: alta recorrência e forte ligação com o tabagismo
O câncer de bexiga é um dos tumores mais relacionados ao cigarro.
O perfil clássico do paciente costuma ser:
- homem,
- branco,
- idoso,
- fumante.
Mesmo com a redução do número de fumantes, o câncer de bexiga segue entre os mais frequentes.
O especialista reforça:
“Cigarro faz mal para tudo.”
A mudança de paradigma no tratamento do câncer de bexiga
Até poucos anos atrás, muitos pacientes eram encaminhados diretamente para cirurgia radical, incluindo retirada da bexiga.
Hoje, especialmente após mudanças recentes nos protocolos internacionais, existem duas opções válidas:
- cirurgia radical,
- tratamento preservador de órgão com rádio e quimioterapia.
Isso significa que muitos pacientes podem manter a bexiga funcionando sem necessidade de retirada completa.
Preservação de qualidade de vida: uma das maiores diferenças do Canadá
Segundo o Dr. Tomás, uma das maiores diferenças entre Brasil e Canadá está na cultura médica e na abordagem multidisciplinar.
No Canadá:
- o paciente recebe todas as opções de tratamento,
- a decisão é compartilhada,
- o foco na qualidade de vida é central.
O tratamento não é apenas “combater o câncer”, mas preservar:
- função urinária,
- autonomia,
- conforto,
- dignidade.
A importância da equipe multidisciplinar no tratamento do câncer
O especialista reforçou várias vezes que decisões complexas nunca devem ser tomadas por apenas um médico.
O ideal é que o paciente seja avaliado por:
- radio-oncologista,
- cirurgião,
- oncologista clínico,
- radiologista,
- medicina nuclear,
- equipe multidisciplinar completa.
Cada profissional contribui com uma visão diferente para definir a melhor estratégia.
Radioterapia não é apenas “última opção”
No Brasil, ainda existe a cultura de encaminhar muitos pacientes à radioterapia apenas após falha cirúrgica.
Mas isso vem mudando.
Em muitos casos, especialmente em:
- câncer de bexiga,
- tumores renais,
- câncer de próstata,
a radiocirurgia pode ser utilizada desde o início como tratamento curativo.
O maior objetivo: tratar o paciente, não apenas o tumor
Talvez a frase mais importante da entrevista tenha sido:
“Tudo é feito pensando na qualidade de vida do paciente.”
A medicina moderna não busca apenas aumentar tempo de vida, mas preservar:
- funcionalidade,
- autonomia,
- conforto,
- e dignidade.
E isso muda completamente a experiência do paciente oncológico.
Conclusão: tecnologia, precisão e qualidade de vida estão mudando a oncologia
A radiocirurgia representa uma das maiores revoluções da oncologia moderna.
Com técnicas cada vez mais precisas, menos invasivas e mais personalizadas, muitos pacientes conseguem:
- evitar grandes cirurgias,
- preservar órgãos,
- manter qualidade de vida,
- e alcançar excelentes resultados oncológicos.
A informação correta, o diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar são hoje os pilares do tratamento moderno do câncer.


