Glaucoma: A Doença Silenciosa Que Mais Causa Cegueira Irreversível no Mundo
O alerta que vem de uma referência em glaucoma
No CBV — Hospital dos Olhos de Brasília, recebemos o Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira, uma das maiores referências em glaucoma do país. A conversa foi esclarecedora e necessária: estamos falando de uma doença ocular silenciosa, progressiva e que já é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.
O que é o glaucoma?
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico — o “cabo” que conecta o olho ao cérebro, responsável por levar as informações das imagens que enxergamos.
Quando esse nervo começa a se deteriorar, a conexão vai sendo perdida aos poucos. O resultado é uma perda visual progressiva e, infelizmente, irreversível.
Números que assustam: o glaucoma no mundo
Os dados apresentados pelo Dr. Juscelino são impressionantes:
- 9 a 10 milhões de pessoas no mundo já estão completamente cegas devido ao glaucoma
- 90 a 95 milhões de pessoas são portadoras da doença
- Cerca de 10% dos portadores já sofreram perda irreversível da visão
Quando o médico começou a trabalhar com glaucoma, em meados de 1994/1995, o número de cegos no mundo era de aproximadamente 4,2 milhões. Em 30 anos, esse número mais que dobrou.
Por que o número de casos cresceu tanto?
O principal motivo é que o glaucoma é uma doença silenciosa. Na maioria dos casos, não apresenta sintomas. A pessoa não sente dor, não percebe a perda gradual da visão e, por isso, não procura o oftalmologista.
Como bem lembrou o ditado mineiro:
“É melhor prevenir do que remediar.”
E no caso do glaucoma, remediar pode não ser uma opção — porque a perda é definitiva.
Pressão intraocular: não existe um valor único para todos
Um dos pontos mais importantes da entrevista foi a explicação sobre a pressão intraocular. O Dr. Juscelino fez questão de usar a palavra correta:
Não é pressão “alta”. É pressão “inadequada”.
Cada pessoa tem uma pressão intraocular ideal diferente. Depende de:
- Anatomia do olho
- Espessura da córnea
- Condição do nervo óptico
- Histórico familiar
- Idade
- Outros fatores individuais
Por isso, uma pessoa pode ter pressão 15 e precisar de tratamento, enquanto outra com pressão 18 não precisa de nada. O que define o tratamento é a relação entre a pressão e o nervo óptico de cada paciente.
“Cada qual com seu cada qual.” — Dona Isabel, mãe do Dr. Juscelino.
Como o glaucoma age no organismo
O Dr. Juscelino usou uma analogia perfeita:
“A pressão intraocular e o nervo óptico são como um casamento. É desse casamento que vamos prevenir o glaucoma. E, como todo casamento, precisa de cuidado frequente, mimos, atenção e tolerância.”
Se a pressão está inadequada para aquele nervo específico, o nervóptico vai se deteriorando lentamente — e a visão vai se perdendo sem aviso.
O tratamento existe — mas a prevenção é o melhor caminho
O glaucoma tem tratamento, mas a perda visual já instalada não tem reversão. Por isso, o foco deve estar na prevenção e no diagnóstico precoce.
As opções de tratamento incluem:
- Colírios para controle da pressão
- Laser
- Procedimentos cirúrgicos
Mas tudo isso depende de uma avaliação individualizada feita por um oftalmologista especializado.
Quem deve se preocupar?
O glaucoma pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos têm maior risco:
- Pessoas com histórico familiar de glaucoma
- Maiores de 40 anos
- Pessoas com pressão intraocular elevada
- Portadores de miopia alta
- Pessoas com diabetes
- Usuários crônicos de corticoides
- Pessoas de ascendência africana (maior incidência)
A mensagem final: prevenção salva a visão
A principal lição deixada pelo Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira é clara:
O glaucoma é uma doença séria, silenciosa e progressiva. Mas pode ser controlada quando diagnosticada cedo.
Não espere sentir sintomas. Agende sua consulta com o oftalmologista regularmente. A visão é um dos bens mais preciosos que temos — e perdê-la para uma doença que pode ser evitada é uma tragédia desnecessária.
Cuide dos seus olhos
Se você ainda não foi ao oftalmologista este ano, esta é a hora. O glaucoma não avisa, não dói, não dá sinais — até que seja tarde demais.
Faça como o ditado ensina: previna-se. Porque, quando se trata da visão, o que se perde não volta mais.


