Glaucoma: A Doença Silenciosa e a Importância do Checkup Ocular Anual
O alerta essencial: por que o checkup ocular precisa fazer parte da sua rotina
A entrevista com o Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira, referência em glaucoma no CBV — Hospital dos Olhos de Brasília, trouxe uma reflexão poderosa: se na internet temos acesso a todo tipo de informação, e as pessoas passam horas e horas conectadas, por que ainda negligenciamos a saúde ocular?
A pergunta central ficou clara: como alguém que não tem nenhum dado, nenhuma informação e nem sequer imagina a possibilidade de um problema pode cuidar da visão?
A resposta é tão simples quanto necessária: o checkup ocular não faz parte da cesta padrão de exames anuais — e deveria fazer.
A responsabilidade social da informação
O Dr. Juscelino destaca que existe uma responsabilidade social na comunicação médica. Transformar informações técnicas em conhecimento acessível é fundamental para que as pessoas possam prevenir doenças antes que elas se tornem graves.
“Nós temos uma responsabilidade social na comunicação, em transformar as informações para todos de uma maneira acessível.”
Primeiro passo: conheça o histórico da sua família
O primeiro fator de alerta para o glaucoma está dentro de casa. Reconhecer se há pessoas na família que:
- Tiveram problemas visuais
- Perderam a visão
- Precisaram usar medicamentos oculares
- Realizaram cirurgias oftalmológicas
- Tiveram diagnóstico de glaucoma
Pais, avós, irmãos, tios e primos — o histórico familiar é uma das informações mais valiosas que você pode ter.
“O primeiro fator é ter a informação familiar. Isso já é uma informação importante.”
Por que não sentimos os sintomas do glaucoma?
Uma das razões pelas quais o glaucoma é tão perigoso é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais:
- Não há dor nos olhos
- Os olhos não ficam vermelhos
- Não há incômodo aparente
- A visão central permanece preservada por muito tempo
O glaucoma causa perda gradual da visão periférica — aquilo que enxergamos dos lados. E como o cérebro se adapta, a pessoa não percebe que está perdendo campo visual até que a perda seja significativa.
“Quando eu perco um pedaço — que é o glaucoma inicial — eu não me dou conta, porque basta eu me virar que eu vou ver. Só que essa perda é progressiva e irreversível.”
A pergunta que você deve fazer ao oftalmologista
O Dr. Juscelino dá uma dica simples e poderosa para incluir na sua próxima consulta:
Ao final do exame, pergunte ao seu médico:
“Como está o casamento da minha pressão intraocular com o meu nervo óptico?”
Essa é a relação que define se você tem risco de desenvolver glaucoma. E é exatamente por isso que a avaliação precisa ser individualizada — não existe um valor de pressão único que sirva para todos.
Checkup anual: mesmo sem sintomas, mesmo sem fatores de risco
Se você faz checkup anual para o coração, para a ginecologia, para a ortopedia, por que não faria para os olhos?
A mensagem do especialista é clara:
“Não tenho nenhum problema no coração, mas todo ano eu faço checkup para continuar estando bem. É o mesmo raciocínio para os olhos.”
Não espere sentir dor, não espere perder visão, não espere o glaucoma avançar. A prevenção é o único caminho para evitar a perda irreversível.
O que você pode fazer agora?
- Pergunte à sua família se há histórico de glaucoma, perda de visão ou cirurgias oculares.
- Agende uma consulta oftalmológica — mesmo sem sintomas.
- Faça do checkup ocular um hábito anual, assim como os demais exames de rotina.


