Cirurgia plástica: rinoplastia, lipoaspiração com laser e o que avaliar antes de operar
A cirurgia plástica desperta desejo, dúvidas e — muitas vezes — expectativas irreais. Para esclarecer como funcionam a escolha do nariz, a lipoaspiração com laser e os critérios de segurança, o programa Saúde em Dia recebeu o cirurgião plástico Dr. Adilson Farrapeira, que falou sobre os dois assuntos mais procurados do consultório.
Como escolher o nariz: a simulação antes da cirurgia
A escolha do nariz começa na primeira consulta, com anamnese, exame físico e identificação das queixas do paciente. O ponto alto da consulta é a simulação no computador: o cirurgião mostra como o nariz ficaria depois da cirurgia, planejando exatamente o que pretende fazer — por exemplo, diminuir o “carocinho” da ponta e levantá-la um pouco.
A simulação tem um papel importante nos dois sentidos: mostra ao paciente que nem todo resultado desejado é alcançável ou harmônico para aquele tipo de rosto e tipo de pele, e acalma quem tem medo de mudar demais — do resultado “estilo Michael Jackson”. Vale lembrar: a simulação não é uma promessa de resultado.
Dois tipos de paciente: o realista e o do nariz de boneca
Existem dois perfis que exigem cuidado. O primeiro quer um resultado real. O segundo busca um resultado artificial — o nariz de “bonequinha arrepiado ou arrebitado”, que muda totalmente a expressão da pessoa e parece feito “quase com argila”.
Além da estética, há a questão funcional: um nariz muito empinado e pequeno demais pode comprometer a respiração. A preocupação do cirurgião é manter e muitas vezes melhorar a função do nariz — especialmente porque grande parte dos adultos tem desvio de septo e já não respira bem.
Rinoplastia com correção do septo: por que fazer junto
É possível — e até recomendável — fazer a plástica do nariz junto com a correção do desvio de septo. O motivo é técnico: o cirurgião usa material do próprio septo para estruturar o nariz e deixá-lo mais bonito. Como já vai mexer no septo de qualquer forma, aproveita para retirar a parte desviada e corrigir os desvios na mesma cirurgia.
Quem não pode fazer cirurgia plástica: os fatores limitantes
Cirurgia estética é cirurgia eletiva — e a primeira preocupação é a segurança do paciente. A regra é clara: qualquer doença descompensada impede a operação. Diabetes e pressão alta descontrolados, por exemplo, são fatores limitantes.
Pacientes com essas doenças controladas — realidade da grande maioria — podem operar sem problema. Pacientes obesos, com IMC descontrolado, também não são operados: primeiro se prepara o paciente, para depois realizar uma cirurgia mais segura e com resultado mais bonito.
Lipoaspiração x lipoescultura: qual a diferença
A diferença é mais de nomenclatura. Quando se faz apenas a retirada da gordura, chama-se lipoaspiração. Quando a gordura é retirada de determinadas áreas e colocada em outras, chama-se lipoescultura.
A lipoaspiração é uma cirurgia agressiva para o cirurgião — que precisa fazer força física para descolar a gordura — e, para quem observa, envolve muito sangramento. A tecnologia vem se aperfeiçoando justamente para reduzir esse estresse, o sangramento e, consequentemente, os riscos.
O que o laser faz na lipoaspiração
O laser é uma das tecnologias que mudaram a lipoaspiração — não é a única: também existe a vibro-lipo, que faz uma vibração na cânula e facilita a penetração na gordura. Os benefícios do laser são três:
- Derrete a gordura: quebra a célula de gordura e o tecido conjuntivo que conecta uma célula à outra, fazendo a cânula passar com menos travamento e menos força;
- Cauteriza os vasinhos: ao esquentar a região, reduz o sangramento dos pequenos vasos;
- Retrai a pele: o calor faz o tecido conjuntivo se retrair — como um bife na chapa, em grau muito menor —, diminuindo a flacidez.
Há ainda um bônus: o laser tem propriedade analgésica, conhecida há muitos anos e usada por fisioterapeutas, enfermagem e dentistas. O resultado é um pós-operatório que dói menos.
Lipoaspiração não é tratamento para obesidade
Muitos pacientes obesos ou com sobrepeso buscam a lipoaspiração para reduzir medidas e peso. O alerta do cirurgião: não adianta querer um corpo que não condiz com o estilo de vida. Não existe cirurgia que substitua a mudança de hábitos — atividade física e alimentação melhorada vêm primeiro, para depois “esculpir” o corpo.
A lógica por trás dessa visão é simples: nosso cérebro entende saúde como beleza — não é possível ter uma pessoa bonita sem que ela esteja saudável. E a mídia influencia tanto que, às vezes, chega a deixar de ser saudável.
Quantos litros de gordura podem ser retirados
Com segurança, retira-se entre 5% e 7% do peso corporal em gordura. Operar pacientes obesos aumenta muito o risco de trombose e infecção — e o resultado não fica tão bonito.
A maioria dos pacientes está na faixa do sobrepeso, com IMC entre 25 e 30 (acima de 30 é obesidade). Mas o IMC não é uma medida perfeita: atletas musculosos podem ter sobrepeso no índice sem estarem gordos, e há pessoas com “carcaça maior” que ficariam desnutridas com IMC de 20. Por isso, o critério não é tão rígido.
As cirurgias mais buscadas: mama e abdômen
As mais procuradas são a abdominoplastia e a cirurgia de mama — o chamado “mommy recovery”: depois dos filhos, a mama caiu por causa da amamentação e o abdômen tem diástase e flacidez, aproveitando para dar uma olhada no bumbum.
Nas mamas, a tendência é o natural: as estatísticas brasileiras e americanas mostram diminuição do número de próteses, com mais enxerto de gordura — embora na prática ainda haja muita gente querendo prótese. A orientação é sempre proporcional à paciente, para evitar arrependimento depois.
Qual a idade mínima para fazer cirurgia plástica
Depende do tipo de cirurgia. A otoplastia (orelha de abano) pode ser feita a partir dos 7 anos. De forma geral, o ideal é a partir dos 16 anos, quando o paciente está mais bem informado — o cirurgião já operou meninas de 16 anos com mama muito grande, que prejudicava a coluna e causava sofrimento. A partir dos 18 anos, fica tranquilo para prótese, rinoplastia e lipoaspiração.


