Glaucoma e Fake News: Os Perigos da Desinformação Sobre a Principal Causa de Cegueira Irreversível

Mônica Nóbrega

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Glaucoma e Fake News: Os Perigos da Desinformação Sobre a Principal Causa de Cegueira Irreversível

O glaucoma continua sendo uma doença silenciosa — e cercada de mitos

No CBV — Hospital dos Olhos de Brasília, o especialista em glaucoma Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira fez um alerta importante sobre um problema cada vez mais comum: as fake news relacionadas à saúde ocular.

Em tempos de redes sociais, muitas pessoas acreditam em promessas milagrosas, tratamentos alternativos e receitas caseiras que prometem “curar” glaucoma ou recuperar a visão perdida. O problema é que isso pode atrasar o diagnóstico correto e levar à cegueira irreversível.

Segundo o médico:

“É mentira que exista tratamento capaz de fazer alguém voltar a enxergar o que perdeu por glaucoma.”

O que é glaucoma?

O glaucoma é uma doença progressiva que afeta o nervo óptico — a estrutura responsável por conectar os olhos ao cérebro.

Quando esse nervo sofre danos:

  • a visão vai sendo perdida lentamente,
  • normalmente sem dor,
  • sem vermelhidão,
  • sem sintomas aparentes.

Por isso o glaucoma é chamado de:

“a doença silenciosa da visão”.

O maior mito sobre glaucoma: “dá para recuperar a visão perdida”

O especialista foi categórico:

Não existe:

  • exercício ocular que recupere campo visual,
  • terapia alternativa que reverta glaucoma,
  • remédio caseiro capaz de curar a doença,
  • tratamento milagroso vendido na internet.

Quando a perda visual acontece, ela é:

irreversível.

Ou seja: o objetivo do tratamento é impedir a progressão da doença — e não recuperar o que já foi perdido.

Fake news sobre glaucoma podem custar a visão

Segundo o médico, muitos pacientes chegam ao consultório acreditando em:

  • receitas da internet,
  • vídeos milagrosos,
  • produtos sem comprovação,
  • terapias alternativas sem acompanhamento médico.

Isso atrasa:

  • o diagnóstico,
  • o início do tratamento,
  • e aumenta o risco de cegueira.

“É mentira que seja possível tratar glaucoma sem o auxílio do oftalmologista.”

A comparação perfeita: se o glaucoma tivesse um perfil nas redes sociais

Durante a entrevista, surgiu uma analogia curiosa:

Se o glaucoma tivesse uma rede social, ele seria aquele perfil fake:

  • que aparenta estar tudo perfeito,
  • que não demonstra problema algum,
  • que esconde a realidade,
  • que engana silenciosamente.

Porque o glaucoma:

  • não coça,
  • não arde,
  • não dói,
  • e muitas vezes mantém a visão central preservada durante anos.

Enquanto isso, o nervo óptico vai sendo destruído silenciosamente.

O perigo da pressão intraocular elevada

A pressão intraocular alta é um dos principais fatores relacionados ao glaucoma.

Mas o médico reforça: não basta medir a pressão ocular isoladamente.

É necessário avaliar:

  • a relação da pressão com o nervo óptico,
  • o histórico familiar,
  • exames complementares,
  • fatores individuais.

Cada paciente possui um risco diferente.

Quem precisa ter atenção redobrada?

Algumas pessoas possuem maior risco de desenvolver glaucoma:

  • Quem tem histórico familiar
  • Usuários de corticosteroides
  • Pessoas que sofreram traumas oculares
  • Pacientes submetidos a cirurgias nos olhos
  • Pessoas acima dos 40 anos
  • Portadores de doenças crônicas

Nesses casos, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental.

O glaucoma é uma neuropatia progressiva

O Dr. Juscelino explica que o glaucoma é, na prática:

uma neuropatia.

Ou seja: uma doença que causa dano progressivo ao nervo óptico.

Esse dano provoca:

  • perda do campo visual,
  • estreitamento da visão,
  • e, em casos avançados, visão tubular (“visão em túnel”).

Sem tratamento, o paciente pode perder totalmente a visão.

A única forma segura de prevenção: acompanhamento oftalmológico

A principal mensagem da entrevista é clara:

Não existe prevenção sem oftalmologista.

Para proteger a visão, é fundamental:

  • fazer consultas regulares,
  • medir a pressão intraocular,
  • avaliar o nervo óptico,
  • realizar exames específicos quando necessário.

Especialmente porque: o glaucoma pode evoluir durante anos sem qualquer sintoma.

Conclusão: desconfie de promessas milagrosas

Quando o assunto é glaucoma, acreditar em fake news pode custar caro — pode custar a visão.

Não existe:

  • cura milagrosa,
  • exercício mágico,
  • receita caseira,
  • tratamento alternativo capaz de recuperar o nervo óptico destruído.

O que existe é:

  • prevenção,
  • diagnóstico precoce,
  • acompanhamento médico,
  • e tratamento adequado.

 

Cuidar da saúde ocular é investir em autonomia, qualidade de vida e independência para o futuro.

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