Glaucoma: A Doença Silenciosa Que Mais Causa Cegueira Irreversível no Mundo.

Mônica Nóbrega

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Glaucoma: A Doença Silenciosa Que Mais Causa Cegueira Irreversível no Mundo 

O alerta que vem de uma referência em glaucoma

No CBV — Hospital dos Olhos de Brasília, recebemos o Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira, uma das maiores referências em glaucoma do país. A conversa foi esclarecedora e necessária: estamos falando de uma doença ocular silenciosa, progressiva e que já é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico — o “cabo” que conecta o olho ao cérebro, responsável por levar as informações das imagens que enxergamos.

Quando esse nervo começa a se deteriorar, a conexão vai sendo perdida aos poucos. O resultado é uma perda visual progressiva e, infelizmente, irreversível.

Números que assustam: o glaucoma no mundo

Os dados apresentados pelo Dr. Juscelino são impressionantes:

  • 9 a 10 milhões de pessoas no mundo já estão completamente cegas devido ao glaucoma
  • 90 a 95 milhões de pessoas são portadoras da doença
  • Cerca de 10% dos portadores já sofreram perda irreversível da visão

Quando o médico começou a trabalhar com glaucoma, em meados de 1994/1995, o número de cegos no mundo era de aproximadamente 4,2 milhões. Em 30 anos, esse número mais que dobrou.

Por que o número de casos cresceu tanto?

O principal motivo é que o glaucoma é uma doença silenciosa. Na maioria dos casos, não apresenta sintomas. A pessoa não sente dor, não percebe a perda gradual da visão e, por isso, não procura o oftalmologista.

Como bem lembrou o ditado mineiro:

“É melhor prevenir do que remediar.”

E no caso do glaucoma, remediar pode não ser uma opção — porque a perda é definitiva.

Pressão intraocular: não existe um valor único para todos

Um dos pontos mais importantes da entrevista foi a explicação sobre a pressão intraocular. O Dr. Juscelino fez questão de usar a palavra correta:

Não é pressão “alta”. É pressão “inadequada”.

Cada pessoa tem uma pressão intraocular ideal diferente. Depende de:

  • Anatomia do olho
  • Espessura da córnea
  • Condição do nervo óptico
  • Histórico familiar
  • Idade
  • Outros fatores individuais

Por isso, uma pessoa pode ter pressão 15 e precisar de tratamento, enquanto outra com pressão 18 não precisa de nada. O que define o tratamento é a relação entre a pressão e o nervo óptico de cada paciente.

“Cada qual com seu cada qual.” — Dona Isabel, mãe do Dr. Juscelino.

Como o glaucoma age no organismo

O Dr. Juscelino usou uma analogia perfeita:

“A pressão intraocular e o nervo óptico são como um casamento. É desse casamento que vamos prevenir o glaucoma. E, como todo casamento, precisa de cuidado frequente, mimos, atenção e tolerância.”

Se a pressão está inadequada para aquele nervo específico, o nervóptico vai se deteriorando lentamente — e a visão vai se perdendo sem aviso.

O tratamento existe — mas a prevenção é o melhor caminho

O glaucoma tem tratamento, mas a perda visual já instalada não tem reversão. Por isso, o foco deve estar na prevenção e no diagnóstico precoce.

As opções de tratamento incluem:

  • Colírios para controle da pressão
  • Laser
  • Procedimentos cirúrgicos

Mas tudo isso depende de uma avaliação individualizada feita por um oftalmologista especializado.

Quem deve se preocupar?

O glaucoma pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos têm maior risco:

  • Pessoas com histórico familiar de glaucoma
  • Maiores de 40 anos
  • Pessoas com pressão intraocular elevada
  • Portadores de miopia alta
  • Pessoas com diabetes
  • Usuários crônicos de corticoides
  • Pessoas de ascendência africana (maior incidência)

A mensagem final: prevenção salva a visão

A principal lição deixada pelo Dr. Juscelino Kubistschek de Oliveira é clara:

O glaucoma é uma doença séria, silenciosa e progressiva. Mas pode ser controlada quando diagnosticada cedo.

Não espere sentir sintomas. Agende sua consulta com o oftalmologista regularmente. A visão é um dos bens mais preciosos que temos — e perdê-la para uma doença que pode ser evitada é uma tragédia desnecessária.

Cuide dos seus olhos

Se você ainda não foi ao oftalmologista este ano, esta é a hora. O glaucoma não avisa, não dói, não dá sinais — até que seja tarde demais.

Faça como o ditado ensina: previna-se. Porque, quando se trata da visão, o que se perde não volta mais.


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