Envelhecer Bem: Dicas da Geriatra Dra. Marina Barriquelo para uma Vida Ativa em Todas as Idades
No Saúde em Dia, recebemos a Dra. Marina Barriquelo, geriatra, para uma conversa essencial sobre qualidade de vida, saúde e propósito no envelhecimento. Afinal, envelhecer bem é um desejo — e uma possibilidade — para todos nós, em qualquer fase da vida.
O envelhecimento começa cedo: por que se preparar?
Segundo a Dra. Marina, muita gente não pensa na saúde na maturidade até que o corpo começa a dar sinais. O ideal, porém, seria se preocupar com o envelhecimento desde cedo, integrando hábitos e prevenções já na rotina do dia a dia. Envelhecer não é uma fase parada, mas sim uma continuação produtiva e repleta de sentido.
Obstáculos mais comuns para o idoso — e como superá-los
Os desafios do envelhecimento são diversos e variam muito: há idosos de 70 anos extremamente ativos, enquanto outros podem ter limitações desde cedo. As principais dificuldades costumam envolver:
- Perda de mobilidade e de força muscular
- Diminuição da cognição (memória, atenção, planejamento)
- Fragilidade óssea
- Quedas
- Doenças crônicas (diabetes, hipertensão, depressão, câncer)
- Isolamento e solidão
Mas, graças ao avanços da medicina, à maior procura por exercícios físicos e ao controle das doenças, essas limitações têm surgido cada vez mais tarde, permitindo uma vida ativa por mais tempo.
Quando procurar um geriatra?
O ideal é que todos busquem um olhar preventivo para o envelhecimento, não apenas em fases avançadas. Segundo a especialista, pessoas com 50 anos ou mais já podem — e devem — procurar um geriatra, especialmente se possuem comorbidades ou desejam um acompanhamento clínico global. O geriatra olha para o paciente como um todo, promovendo saúde física, mental e social.
Doenças crônicas — atenção redobrada
Os geriatras lidam diariamente com doenças metabólicas (como diabetes e hipertensão), depressão, perdas cognitivas, síndromes de fragilidade e câncer. O avanço da idade é um fator de risco para todas elas, tornando o acompanhamento médico e os exames de rotina ainda mais importantes com o passar dos anos.
Demência x esquecimento: como diferenciar?
Muitos idosos se preocupam ao esquecer onde deixaram objetos ou nomes. Segundo a Dra. Marina, a demência vai muito além do esquecimento pontual. Ela envolve déficit cognitivo em diversas áreas, como memória, atenção, cálculo e linguagem, a ponto de interferir na vida diária (ex: dificuldade de administrar dinheiro, realizar compras, cuidar da rotina). Outro ponto importante: problemas de memória podem ser sinal de depressão, que também precisa ser tratada e diferenciada da demência.
A importância da sociabilidade e do propósito
A sociabilidade é o principal fator protetivo para a longevidade, acima de parar de fumar ou fazer exercícios. A presença da família, amigos, participação em grupos e integração com gerações diferentes são fundamentais para o bem-estar do idoso.
Dra. Marina ressalta a importância de incluir o idoso em atividades de trabalho voluntário, compartilhar experiências e valorizar a troca entre jovens e idosos. Ter propósito, continuar aprendendo, se desafiar — tudo isso mantém o cérebro e o corpo ativos.
Aposentadoria e vida intelectual ativa
Ela reforça que a aposentadoria precisa ser encarada como uma transição, não um ponto final. O ideal é ir diminuindo as atividades aos poucos, buscando novos interesses, cursos, passatempos e mantendo o cérebro desafiado.
Manter-se intelectualmente engajado, seja por meio de leitura, estudos ou arte, ajuda a preservar a agilidade mental e a autoestima.
Cuide do corpo — e da mente
A recomendação número 1 é simples, mas poderosa: não abra mão da atividade física. Ela não só previne perdas musculares e quedas, como também estimula o cérebro e o convívio social. Isolamento deve ser evitado ao máximo; se sentir tristeza ou não conseguir sair do isolamento, procure ajuda, faça amigos, participe de grupos e busque prazer nas pequenas coisas.
A pandemia nos mostrou o quanto a conexão interpessoal é indispensável para a saúde mental e física.
Resumo — Conselhos da Dra. Marina
Pratique atividade física regular, mesmo depois dos 40 anos. Não se isole. Mantenha-se inserido em círculos sociais e familiares. Encare desafios intelectuais, mantenha o aprendizado contínuo. Valorize sua experiência e compartilhe saberes. Aposentadoria não é fim — é nova etapa para explorar outros interesses. Procure acompanhamento com um geriatra para orientações personalizadas.