Câncer de Colo do Útero: Informação, Prevenção e o Papel Fundamental da Vacinação.
No Saúde em Dia, tivemos a honra de receber a Dra. Lucy, oncologista renomada, para um bate-papo vital sobre o câncer de colo do útero, um tema que exige atenção de toda a sociedade — desde jovens até adultos, pais, mães e educadores. Março é o mês de alerta para esse tipo de câncer, que ainda impacta milhares de mulheres no Brasil e no mundo.
A triste realidade do diagnóstico tardio
Segundo a Dra. Lucy, o câncer de colo do útero ainda é frequentemente diagnosticado em estágios avançados. Isso acontece porque, na maioria das vezes, a doença é assintomática — ou seja, não apresenta sintomas nas fases iniciais. Muitas mulheres deixam de fazer exames preventivos regulares, seja por falta de tempo, medo ou desconhecimento, e só procuram o médico quando percebem algo fora do comum.
O principal exame para rastreamento é o Papanicolau, que precisa ser feito periodicamente, mesmo na ausência de sintomas. A detecção precoce salva vidas.
HPV: o vilão que pode ser vencido com a vacina
A ciência já comprovou: cerca de 99% dos casos de câncer de colo do útero estão relacionados ao vírus HPV (Papilomavírus Humano). A grande notícia é que o vírus pode ser evitado a partir da vacina, considerada uma estratégia revolucionária de saúde pública.
A vacinação é recomendada para meninas, meninos, adolescentes e até adultos que ainda não tenham tido contato com o vírus. Vacinas mais recentes, como a nona-valente, oferecem proteção ainda mais ampla contra os principais tipos de HPV relacionados ao câncer, além de prevenir também lesões benignas, como verrugas genitais.
Vale lembrar: mesmo adultos que não receberam a vacina na infância podem e devem buscar orientação médica para vacinação, desde que não tenham sido expostos ao HPV. A prevenção nunca é tarde!
HPV também afeta homens
O HPV não escolhe gênero: ele pode causar câncer tanto em mulheres quanto em homens, incluindo câncer de cabeça e pescoço, boca, língua, amígdalas, laringe, ânus e região genital. A transmissão ocorre principalmente pelo contato sexual — e não é preciso penetração para que isso aconteça. Simples contato com mucosas ou pele lesionada já é suficiente para transmissão.
Com a diversidade de práticas sexuais e o início cada vez mais precoce da vida sexual, o alerta se estende aos jovens: sexo oral, anal ou genital podem transmitir o vírus. Por isso, a vacinação para todos é fundamental para quebrar o ciclo dessa infecção silenciosa.
Tratamento: cada caso é único
O tratamento do câncer de colo do útero depende do estágio em que a doença é diagnosticada. Em lesões superficiais, pode ser suficiente uma cirurgia local. Nos casos mais avançados, podem ser necessários procedimentos mais extensos, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Por isso, a detecção precoce é tão importante: quanto antes a doença for descoberta, maiores as chances de tratamento menos agressivo e de cura.
Alerta para os pais: prevenção é um ato de amor
A Dra. Lucy deixa um recado especial para pais, mães e responsáveis: “Façam com que seus filhos recebam a vacina contra o HPV e que as jovens realizem o exame preventivo regularmente. O preconceito e a desinformação levam muitas famílias a evitarem a vacinação, mas é preciso garantir essa proteção. Trata-se de salvar vidas!”
Ela reforça que o HPV é também a principal causa de câncer de cabeça e pescoço em jovens — um alerta para a importância de orientar adolescentes sobre sexo seguro e vacinação. Câncer não escolhe idade: pode devastar famílias e comprometer profundamente a saúde e o futuro dos jovens.
Conclusão
A luta contra o câncer de colo do útero é um esforço coletivo que envolve informação, prevenção, vacinação e combate ao preconceito. O melhor caminho é a educação, o diálogo aberto em casa e o acompanhamento regular da saúde. Para pais, mães e jovens, vacinar é um gesto de amor e responsabilidade.