Cirurgia íntima e saúde feminina: procedimentos, laser e tratamento da incontinência
A cirurgia íntima ainda é cercada de tabus, mas envolve saúde, funcionalidade e qualidade de vida. No programa Saúde em Dia, a ginecologista Dra. Helen Carvalho, especialista em cirurgia íntima, explicou quais procedimentos existem, para quem são indicados e como a tecnologia não invasiva transformou o tratamento de problemas como a incontinência urinária.
O que a cirurgia íntima engloba
A cirurgia íntima reúne vários procedimentos realizados na região íntima da mulher, com duas finalidades: a melhora da funcionalidade e a melhora da estética — da aparência da genitália feminina.
Do ponto de vista funcional, a especialidade abrange:
- Perineoplastia: reconstrução do períneo que foi lacerado ou machucado em algum momento da vida da mulher, como no trabalho de parto;
- Cirurgia corretiva de incontinência urinária.
E há um ponto importante: a cirurgia estética não deixa de ser funcional, porque melhora a qualidade de vida da mulher.
Redução dos pequenos lábios: o procedimento mais procurado
Do ponto de vista estético, o trabalho se concentra na parte externa da genitália feminina. O procedimento mais comum e mais procurado pelas pacientes é a redução dos pequenos lábios — aqueles que costumam ficar contidos dentro da vulva e que, em determinado momento, ficam grandes demais.
Antes chamada de ninfoplastia, a cirurgia hoje engloba vários outros procedimentos. E não é uma questão de idade: acontece em mulheres mais jovens e até em adolescentes.
Os incômodos são reais e vão além da estética:
- Prejudica a prática de esportes;
- Atrapalha usar biquíni ou roupa de ginástica;
- Gera vergonha — há muitas histórias de mulheres que nunca se trocaram perto de outras;
- Causa dor quando os lábios são esmagados durante a relação sexual.
Segundo a especialista, as mulheres estão cada vez mais exigentes com seu corpo, sua aparência e também com a genitália — inclusive pela questão da funcionalidade.
Incontinência urinária: quando o problema é social
A incontinência urinária foge completamente da questão estética. O desconforto se torna um impedimento social — é vergonhoso —, e muitas mulheres se sentem constrangidas, culpadas e até desamparadas, por não saberem que existem alternativas não invasivas.
É importante diferenciar os tipos de perda urinária:
- Urgência urinária: a vontade surge de repente e a mulher precisa correr para achar um banheiro rapidamente;
- Incontinência de esforço: a perda é desencadeada por esforço.
As duas condições coexistem em muitas pacientes.
Laser: o rejuvenescimento íntimo sem cirurgia
A grande novidade, segundo a ginecologista, é que “a tecnologia finalmente olhou para a mulher”. O laser permite um tratamento conservador, indolor — no máximo um leve desconforto passageiro — feito no consultório, em cerca de 20 a 30 minutos.
O procedimento é realizado sem corte, sem sangramento e sem internação. E os benefícios vão além da incontinência:
- Melhora a lubrificação;
- Melhora a sensibilidade;
- Melhora a qualidade de vida sexual;
- Diminui a dor — especialmente em pacientes na menopausa que têm ressecamento e dor na relação.
É por isso que se fala em rejuvenescimento íntimo: o laser devolve uma mucosa mais revigorada, permitindo não só uma vida sexual melhor, mas uma vida com mais qualidade. Vale lembrar que o problema afeta também a vida a dois, e muitas mulheres se sentem culpadas pelo impacto no relacionamento.
Cadeira de campo eletromagnético: fortalecer o assoalho pélvico
Outra alternativa não invasiva é a cadeira de campo eletromagnético. A paciente se senta e acomoda o períneo — o assoalho pélvico —, e a cadeira provoca contrações que fortalecem a musculatura e a base da bexiga.
Em uma única sessão, é possível realizar até 20 mil contrações. O tratamento costuma ter de 6 a 8 sessões, seguidas de manutenção — como toda musculatura: “a gente vai na academia, malha, e depois precisa manter”.
As vantagens práticas são grandes: não precisa tirar a roupa nem há qualquer constrangimento. Os parâmetros são personalizados conforme a necessidade de cada paciente — como na academia, ninguém começa carregando peso com a musculatura flácida.
Tecnologia também na parte cirúrgica
A tecnologia chegou igualmente à parte cirúrgica. O mesmo laser possibilita uma ponteira de corte, e o procedimento pode ser feito com anestesia local — sem internação, sem anestesia geral e sem sonda uretral.
O recado da especialista
A mensagem final resume a conversa: são novidades e informações para que a mulher envelheça com qualidade de vida. E, como destacado na conversa, isso vale especialmente para o público 60+ — que ganha opções reais de tratamento onde antes só havia resignação.


