Beleza e saúde da pele: equilíbrio, naturalidade e o gerenciamento do envelhecimento
A beleza não pode ser separada da saúde da pele — e é por isso que a dermatologista Dra. Bárbara Uzel defende uma frase que resume toda a sua abordagem: “ninguém pode começar a fazer cosmetria, trabalhar beleza e estética da pele sem conhecer a pele, se ela tem alguma patologia”. No programa Saúde em Dia, ela explicou como tratar a pele com equilíbrio, respeitar a fisionomia e gerenciar o envelhecimento com naturalidade.
Saúde primeiro, beleza depois
Tudo começa pela saúde. A pele é o maior órgão do corpo humano e reflete a saúde interna — ninguém pode estar belo sem estar saudável. Por isso, quando um paciente procura um tratamento estético ou contra o envelhecimento, a primeira pergunta é sempre: você está saudável como um todo? A pele está saudável?
A partir daí, a abordagem se divide em dois caminhos: a beleza independente da idade — como a jovem de 25 anos que quer um tratamento pontual — e o gerenciamento do envelhecimento — como a pessoa de 50 ou 60 anos que quer lidar com os sinais do tempo.
Beleza não é perfeição: é proporção
Um conceito central da conversa: beleza não é perfeição, é proporção. A beleza é equilíbrio — e está presente nas proporções ideais de uma face ou de um corpo.
Quando uma pessoa jovem procura a clínica, o trabalho é identificar qual ponto de desequilíbrio existe naquela face — um nariz, uma boca, um queixo fora da proporção — e tratar pontualmente esse ponto, para trazer mais beleza até para alguém já muito belo.
O cuidado é não passar do ponto: se você passa do ponto, também traz desequilíbrio. É por isso que se vê pessoas muito bonitas que exageraram e ficaram “feias” — saíram do equilíbrio.
Gerenciar o envelhecimento: fazer as pazes com o tempo
Para quem tem 40, 50 anos ou mais, especialmente no processo de climatério, a abordagem muda: é hora de gerenciar o envelhecimento e tratar os sinais do tempo. E aqui vem um alerta importante: o tempo não volta.
Se a pele nunca foi tratada, não adianta aplicar mil injeções de toxina botulínica esperando uma sobrancelha retinha — a pele não vai ficar perfeita, e isso não é fracasso. O objetivo é fazer as pazes com o tempo: buscar uma pele saudável, restaurando colágeno, melhorando a qualidade da pele, os sinais de dano solar, as manchas e a textura.
A diferença entre quem trata desde cedo e quem começa tarde é grande. Quem sempre cuidou da pele — como quem sempre foi atleta e se alimentou bem — envelhece de forma melhor, porque preveniu. Quem começa a tratar aos 50, 60 ou 70 anos vai reestruturar a saúde da pele do zero, como quem infartou e precisa reconstruir a saúde. O resultado é diferente — mas há muito a melhorar, sempre com bom senso.
Os três pilares do envelhecimento
A gente envelhece em três camadas: a estrutura óssea, a camada de gordura e a própria pele. Cada pilar tem seu tratamento:
- Estrutura óssea: o osso em si não muda muito, mas é possível estimular o colágeno perto do osso — por exemplo, com ácido hialurônico aplicado próximo ao arco da mandíbula — para reconstruir o contorno da face que foi perdido e sustentar a pele;
- Compartimento de gordura: com o tempo, a gordura se desloca e diminui de volume. A correção é volumizar de forma muito contida, com pouquíssima quantidade, usando bioestimuladores de colágeno — que trazem o volume com a própria pele da pessoa, de forma natural. A bochechinha que desceu precisa ser suspensa e restaurada para o lugar certo, o que também pode ser feito com aparelhos como o ultrassom microfocado;
- Qualidade da pele: é o pilar mais importante — o que as pessoas veem. Melhora-se com lasers e peelings, que tratam as ruguinhas superficiais e as manchas.
Quando todos os pilares são tratados juntos, o resultado fica natural. Quando se trata errado — por exemplo, tentando resolver a flacidez (o desabamento da pele) com muito volume —, o resultado é como inflar um balão de festa. O diagnóstico correto é essencial para o tratamento correto.
A importância do profissional capacitado
Um alerta final da conversa vale para todos: não faça nenhum procedimento com quem não tem capacitação. Quem treinou uma semana não está apto.
O recomendado é buscar um dermatologista — um profissional que estudou anos, fez residência, especialização e se atualiza constantemente. E vale lembrar: existem complicações que podem acontecer, e o profissional precisa saber não só tratar, mas também corrigir quando as coisas não dão certo — assumindo responsabilidade pelos procedimentos. O conselho é simples: só vá a um especialista que possa corrigir o que foi feito errado.


