Vacinação no Inverno: Como Prevenir Gripe, Alergias e Infecções Respiratórias

Mônica Nóbrega

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Vacinação no Inverno: Como Prevenir Gripe, Alergias e Infecções Respiratórias

Por que as doenças respiratórias aumentam no inverno?

A chegada do inverno exige atenção redobrada com a saúde respiratória. Durante os períodos mais frios, é comum que as pessoas mantenham os ambientes fechados por mais tempo, reduzindo a circulação de ar e facilitando a transmissão de vírus e outros agentes infecciosos.

Além disso, a baixa umidade do ar contribui para o aumento de partículas suspensas no ambiente. Esse cenário pode agravar quadros de:

  • Rinite alérgica;
  • Asma;
  • Sinusite;
  • Amigdalite;
  • Pneumonia;
  • Gripe e outras infecções virais.

Em entrevista ao programa Brasil em Dia, a infectologista Dra. Joana Dark Gonçalves explicou quais cuidados devem ser adotados durante a transição para o inverno e destacou a importância da vacinação.

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

A vacinação ajuda a reduzir o risco de infecções e também protege a coletividade. Embora o ideal seja receber algumas vacinas antes do início do inverno, ainda pode ser importante se imunizar durante a estação, conforme as orientações das autoridades de saúde.

Depois da aplicação, o organismo leva alguns dias para desenvolver uma resposta imunológica eficiente. Por isso, quem ainda não se vacinou deve buscar orientação e verificar se a vacina está indicada.

A imunização pode:

  • Reduzir o risco de desenvolver formas graves;
  • Diminuir as complicações respiratórias;
  • Proteger pessoas mais vulneráveis;
  • Contribuir para reduzir hospitalizações;
  • Ajudar no controle da circulação de vírus.

A indicação pode variar conforme a idade, as condições de saúde e as campanhas vigentes. Por isso, é importante consultar um profissional de saúde ou um serviço oficial de vacinação.

É possível tomar a vacina depois do início do inverno?

Sim. Mesmo que a vacinação não tenha sido realizada antes do inverno, ainda pode haver benefício em fazê-la posteriormente, desde que a pessoa esteja dentro dos grupos indicados.

A médica explica que os vírus já podem estar circulando nesse período. Por isso, algumas pessoas podem se infectar antes de a vacina produzir proteção adequada. Ainda assim, a imunização continua sendo importante porque pode proteger contra outras variantes ou tipos de vírus contemplados pela vacina.

O organismo geralmente precisa de aproximadamente 14 dias para desenvolver uma resposta imunológica mais eficiente, conforme explicado na entrevista.

A vacina contra a gripe causa gripe?

Não. A vacina contra a gripe não causa a doença porque não contém vírus influenza viável capaz de provocar a infecção.

Algumas pessoas podem apresentar sintomas após a vacinação por diferentes motivos:

  • Já estavam infectadas antes da aplicação;
  • Desenvolveram outra infecção respiratória;
  • Foram expostas a um vírus que não é coberto pela vacina;
  • Apresentaram reações esperadas do sistema imunológico.

É importante lembrar que existem vários vírus respiratórios circulando ao mesmo tempo. Portanto, uma pessoa pode tomar a vacina contra a gripe e ainda assim apresentar sintomas causados por outro agente infeccioso.

Crianças devem ser vacinadas contra doenças respiratórias

A vacinação infantil é especialmente importante porque as crianças convivem em ambientes com grande circulação de pessoas, como escolas e creches.

Durante o inverno, as salas tendem a ficar mais fechadas, o que facilita a transmissão de vírus. Bebês e crianças pequenas também podem ser mais vulneráveis a complicações respiratórias.

De acordo com a entrevista, os anticorpos maternos oferecem proteção importante nos primeiros meses de vida. Depois desse período, a criança passa a depender ainda mais do acompanhamento pediátrico e do calendário de vacinação.

Os responsáveis devem manter as vacinas atualizadas e conversar com o pediatra sobre as imunizações recomendadas para cada faixa etária.

Crianças com asma ou rinite precisam de atenção especial

Crianças com rinite alérgica, asma ou outras condições respiratórias podem sofrer mais durante o inverno.

A baixa umidade do ar e a presença de partículas suspensas podem irritar as vias respiratórias e agravar sintomas como:

  • Tosse;
  • Chiado no peito;
  • Falta de ar;
  • Espirros;
  • Congestão nasal;
  • Coriza;
  • Irritação na garganta.

Além da vacinação, é importante seguir o tratamento prescrito pelo médico e evitar a exposição a poeira, fumaça, mofo e outros fatores que possam desencadear crises.

O que é o vírus sincicial respiratório?

O vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR, é um agente infeccioso comum, especialmente durante os meses mais frios.

Em muitos casos, a infecção provoca sintomas semelhantes aos de um resfriado. Porém, em bebês, crianças pequenas e pessoas com maior vulnerabilidade, pode evoluir para quadros mais graves, como bronquiolite e pneumonia.

O VSR está entre os vírus associados a hospitalizações pediátricas durante o inverno. Por isso, a prevenção é especialmente importante para:

  • Bebês;
  • Crianças pequenas;
  • Idosos;
  • Pessoas com doenças crônicas;
  • Gestantes, conforme orientação médica.

Por que o VSR passou a ser mais identificado?

A médica explica que o avanço dos testes diagnósticos permitiu identificar vírus que antes poderiam passar despercebidos.

Com a ampliação da vacinação contra a influenza e o maior acesso a exames respiratórios, tornou-se possível diferenciar melhor os agentes que causam infecções.

Assim, uma pessoa pode estar protegida contra a gripe, mas ainda ser infectada pelo VSR ou por outro vírus respiratório. Isso não significa que a vacina contra influenza não funcionou. Significa que são agentes diferentes, com formas específicas de prevenção.

Vacina contra o VSR representa um avanço na prevenção

A entrevista também destacou a disponibilidade de novas estratégias de prevenção contra o vírus sincicial respiratório, incluindo vacinas e imunobiológicos indicados para determinados grupos.

Essas medidas podem envolver:

  • Vacinação durante a gestação;
  • Imunização de grupos específicos;
  • Uso de imunobiológicos para proteção passiva de crianças;
  • Acompanhamento médico de bebês com maior risco.

A indicação deve ser feita de acordo com as recomendações oficiais e com a avaliação de um profissional de saúde. As estratégias podem variar conforme a idade, o histórico clínico e as políticas de vacinação vigentes.

Como prevenir infecções respiratórias no inverno?

Além de manter a vacinação em dia, algumas atitudes ajudam a reduzir o risco de infecções respiratórias:

  • Lavar as mãos com frequência;
  • Evitar tocar o rosto com as mãos sujas;
  • Manter os ambientes ventilados;
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
  • Usar máscara quando houver recomendação;
  • Procurar atendimento diante de sintomas importantes;
  • Seguir corretamente os tratamentos prescritos.

Pessoas com sintomas respiratórios devem evitar frequentar ambientes fechados e muito movimentados, principalmente quando convivem com bebês, idosos ou pessoas imunossuprimidas.

Quando procurar atendimento médico?

É importante buscar avaliação médica quando os sintomas forem intensos, persistentes ou apresentarem sinais de agravamento.

A atenção deve ser redobrada em casos de:

  • Falta de ar;
  • Respiração acelerada;
  • Febre persistente;
  • Chiado intenso no peito;
  • Sonolência excessiva;
  • Dificuldade para se alimentar;
  • Lábios arroxeados;
  • Piora rápida do estado geral.

Em bebês e crianças pequenas, qualquer alteração importante na respiração deve ser avaliada com cuidado.

A vacinação também protege a coletividade

A imunização não beneficia apenas quem recebe a vacina. Ela também ajuda a proteger pessoas que não podem ser vacinadas ou que apresentam maior risco de complicações.

Quando mais pessoas estão imunizadas:

  • A circulação de determinados vírus pode diminuir;
  • Pessoas vulneráveis ficam mais protegidas;
  • O número de casos graves pode ser reduzido;
  • A pressão sobre os hospitais tende a ser menor.

Por isso, a vacinação é uma medida individual e coletiva de saúde pública, no Brasil e também durante viagens internacionais.

Cuidados antes de viajar durante o inverno

Quem pretende viajar deve verificar se as vacinas estão atualizadas e buscar informações sobre as doenças respiratórias que circulam no destino.

No hemisfério norte, por exemplo, as estações do ano ocorrem em períodos diferentes do Brasil. Mesmo quando o destino está no verão, pode haver circulação de vírus respiratórios.

Antes de viajar, é recomendado:

  • Conferir a carteira de vacinação;
  • Verificar as recomendações para o destino;
  • Atualizar as vacinas indicadas;
  • Levar medicamentos de uso contínuo;
  • Evitar viajar com sintomas importantes;
  • Manter hábitos de higiene durante o deslocamento.

A proteção individual também contribui para evitar a transmissão de doenças para outras pessoas.

Conclusão

O inverno favorece a circulação de vírus e pode agravar alergias e doenças respiratórias. Por isso, a prevenção deve começar antes da estação mais fria e continuar ao longo dos meses de maior circulação de infecções.

A vacinação contra a gripe e outras doenças respiratórias, quando indicada, é uma das principais ferramentas para reduzir complicações. Também é importante conhecer o vírus sincicial respiratório, manter os ambientes ventilados, controlar doenças como asma e rinite e procurar atendimento médico diante de sinais de alerta.

A orientação de um profissional de saúde é essencial para definir quais vacinas e medidas preventivas são adequadas para cada pessoa, especialmente no caso de bebês, crianças, gestantes, idosos e pacientes com doenças crônicas.

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