Síndrome das Pernas Inquietas: Sintomas, Causas e Tratamentos
No programa Saúde em Dia, recebemos Dr. Nonato Delgado, neurologista, para esclarecer um tema pouco conhecido e frequentemente mal interpretado: a síndrome das pernas inquietas (SPI). Apesar de ser um problema comum, muitas pessoas enfrentam preconceitos ou não conseguem um diagnóstico adequado. Confira os principais pontos abordados na entrevista!
O Que é a Síndrome das Pernas Inquietas?
Segundo o Dr. Nonato, a síndrome das pernas inquietas (SPI) é um distúrbio neurológico que causa a necessidade irresistível de movimentar as pernas, geralmente devido a sensações desconfortáveis, como:
- Agonia ou gastura nas pernas;
- Queimação, dor ou sensação “estranha” (descrita pelos pacientes como um incômodo difícil de explicar);
- Impaciência muscular, como é chamada na França.
Quando ocorre?
Os sintomas costumam aparecer ao entardecer ou à noite e pioram quando a pessoa está em repouso, especialmente ao deitar para dormir. Isso afeta diretamente a qualidade do sono, já que muitas pessoas não conseguem relaxar ou permanecer quietas na cama.
Pernas Inquietas Não é Ansiedade
Uma confusão comum é associar a SPI à ansiedade ou a comportamentos de pessoas “nervosas”. Dr. Nonato esclareceu:
Os movimentos típicos da ansiedade (como balançar o pé ou mexer-se ao conversar) são voluntários, enquanto os da SPI são provocados por uma sensação interna de desconforto.
É importante diferenciar esses casos, pois a SPI nem sempre está ligada a transtornos psiquiátricos.
Causas da Síndrome das Pernas Inquietas
Embora as causas exatas ainda não sejam completamente compreendidas, fatores importantes foram destacados:
- Deficiência de ferro (feritina):
- Baixos níveis de ferro no cérebro afetam um sistema chamado dopaminérgico, responsável pelo controle dos movimentos voluntários.
- Mulheres grávidas, pessoas com insuficiência renal ou doenças crônicas podem apresentar maior risco devido à deficiência de ferro.
Fatores genéticos:
Há uma forte ligação genética na SPI. Crianças podem desenvolver a síndrome se um dos pais for portador, e em alguns casos é confundida com “dor do crescimento”.
Problemas neurológicos e metabólicos:
Doenças como neuropatias, diabetes e insuficiência renal estão associadas à SPI.
Estilo de vida e estresse:
Embora menos frequente, alguns episódios podem ser agravados por cansaço extremo, ansiedade ou uso de álcool e cafeína.
Quem Pode Ter Síndrome das Pernas Inquietas?
Crianças:
Frequentemente confundida com “dores de crescimento”.
Pode se manifestar precocemente em crianças com histórico familiar de SPI.
Adultos e idosos:
É mais comum em mulheres, especialmente por conta de perdas menstruais de ferro ou alterações hormonais após a menopausa.
Cerca de 15% da população pode apresentar SPI, embora em diferentes graus de intensidade.
Grávidas:
Cerca de 30% das mulheres grávidas desenvolvem SPI durante a gestação. Dessas, aproximadamente 70% têm remissão após o parto, mas os demais casos podem persistir.
Como a SPI Afeta a Vida dos Pacientes?
Os impactos vão muito além do desconforto físico. Pacientes com SPI enfrentam:
- Prejuízo na qualidade de vida:
- Noites mal dormidas levam à fadiga, irritabilidade e dificuldades para manter uma rotina normal.
Problemas cognitivos e emocionais:
A privação do sono pode gerar déficit de atenção, redução da memória e até transtornos depressivos ou ansiosos.
Riscos cardiovasculares:
Estudos sugerem que a SPI pode estar ligada à ativação constante do sistema de estresse, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
“Assim como outras condições, a SPI pode ter um impacto direto no bem-estar físico e mental do paciente”, explicou o Dr. Nonato.
Como é Feito o Diagnóstico?
Dr. Nonato enfatizou que o diagnóstico da SPI é clínico, ou seja, não exige exames sofisticados.
Ouvir o paciente:
O médico deve extrair informações detalhadas sobre a sensação, o horário em que os sintomas ocorrem e o que alivia o desconforto.
Descartar outras condições:
Exames como a polissonografia (que analisa o sono) podem ser úteis em casos mais complexos. Esses exames podem identificar movimentos periódicos durante o sono relacionados à SPI.
Evitar diagnósticos errados:
Muitas pessoas têm medo ou vergonha de relatar os sintomas, temendo serem encaminhadas ao psiquiatra ou ter seus incômodos desvalorizados.
Existe Tratamento Para a SPI?
Sim, tratamentos eficazes estão disponíveis! Embora a evolução natural da SPI ainda não seja totalmente compreendida, é possível minimizar ou eliminar os sintomas com as abordagens corretas.
- Reposição de ferro:
A maioria dos pacientes com deficiência de ferro apresenta melhora dos sintomas após reposição de ferro, especialmente por via intravenosa.
Dr. Nonato afirmou: “Evito recomendar ferro oral pelos efeitos colaterais e pela demora nos resultados.”
- Medicamentos dopaminérgicos:
Remédios usados para tratar a doença de Parkinson podem ser eficazes, pois ajudam a corrigir os problemas no sistema dopaminérgico.
- Ajustes no estilo de vida:
Exercícios moderados;
Redução do consumo de cafeína, álcool e nicotina;
Manutenção de uma rotina de sono regular.
- Cuidados específicos para casos complexos:
Pacientes com doenças associadas, como insuficiência renal ou neuropatias, podem exigir tratamentos mais personalizados.
Mensagem Final
Dr. Nonato destacou que:
“O diagnóstico precoce é crucial para evitar o impacto da SPI na qualidade de vida do paciente. Todos os médicos, independentemente da especialidade, precisam estar atentos aos sintomas relatados pelos pacientes e encaminhá-los para avaliação quando necessário.”
Além disso, Dr. Nonato deixou uma mensagem de esperança para quem sofre com SPI:
“Com o tratamento certo, é possível viver bem e retomar uma boa qualidade de sono e de vida.”
Resumo: Principais Pontos Sobre a Síndrome das Pernas Inquietas
Sintomas: Sensação de desconforto (agonia, queimação ou dor) nas pernas, piorando ao anoitecer e com o repouso.
Causas: Deficiência de ferro, fatores genéticos e alterações no sistema dopaminérgico.
Afetados: Crianças, adultos (especialmente mulheres) e pacientes com condições associadas (insuficiência renal, diabetes, etc.).
Diagnóstico: Baseado na conversa com o paciente; exames podem complementar, mas não são obrigatórios.
Tratamento: Inclui reposição de ferro, medicamentos e ajustes no estilo de vida.


